São Paulo, 27/11/2012 - 16:55
Clipping/Voltimum
Instalações provisórias: erros mais frequentes
Conheça os principais erros e como resolvê-los para manter sua instalação seguraClipping/Voltimum

As
instalações elétricas provisórias são encontradas frequentemente em
feiras, exposições, palcos de show, parques de diversão, canteiros de
obras e nessa época do ano até em decorações natalinas. São instalações
que atendem uma demanda específica de energia elétrica por um intervalo
de tempo e depois disso são desabilitadas ou até substituídas por uma
instalação permanente.
Apesar de serem submetidas às mesmas
normas técnicas de uma instalação elétrica convencional (a NBR 5410), as
instalações provisórias no Brasil em muitos casos desrespeitam os
aspectos de segurança de seus usuários e não raro causam graves
acidentes. Um dos mais recentes e populares ocorridos no Brasil foi o do
jornalista Lasier Martins, que numa cobertura de uma Feira da Uva para o
telejornal do Rio Grande do Sul, tocou em uma grade eletrificada onde
estavam expostos cachos de uva. O choque intenso provocou sua queda e o
vídeo recentemente virou hit da web. Felizmente, o acidente não foi
fatal, mas serviu de alerta para esta questão.
Uso de cabos inadequados
Entre os erros mais frequentes
observados neste tipo de instalação está o uso de cabos inadequados. A
NBR 5410 é clara quanto ao tipo de cabo que deve ser usado e como este
deve ser instalado nas diversas situações. Cabos que possuem apenas
isolação devem ser instalados dentro de eletrodutos ou eletrocalhas com
tampa.
Cabos que além de isolação possuem
cobertura podem ser instalados de modo mais livre, pois suportam mais os
impactos mecânicos, conservando-se íntegros com pequenas pressões
acidentais e pequenas oscilações de temperatura e umidade.
A NBR 5410 traça os parâmetros ideais
dependendo da situação de uso do cabo elétrico. Mas o que se vê com
enorme frequência é o uso, por exemplo, do cabo paralelo, feito para ser
usado exclusivamente na ligação de equipamentos elétricos como o cabo
que alimenta um abajur ou um liquidificador. Ele vem com o equipamento
elétrico e não foi fabricado para ser aplicado numa instalação elétrica.
A fixação deste cabo em rodapés e
outros suportes são proibidos pela norma, pois não suportam tração e
pressão. São dois pequenos cabos grudados um ao outro, muito flexíveis,
porém muito frágeis. Em caso de trincamento, ele expõe os usuários da
instalação ao risco de choques, como o do Lasier, podendo também gerar
curto-circuito. Os indicados são condutores isolados, como os de 450/750
volts da Nexans, e que só podem ser usados dentro de dutos fechados
como eletrodutos, canaletas com tampas ou perfilados com tampas.
Outro modelo inadequado é o cabo PP,
produzido dentro do mesmo conceito do cabo paralelo, mas dotado de uma
cobertura em formato redondo. A sua indicação de uso está restrita a
equipamentos elétricos como refrigeradores, aspirador de pó e
microondas. Ele liga o aparelho à tomada, exclusivamente, e não foi
feito para uso em obra, em eletrodutos.
Quando há necessidade de se usar cabos
soltos no chão ou suspensos na parede são indicados os modelos
multipolares flexíveis de 0,6/1kV. Eles apresentam isolação e cobertura,
que suportam pressões mecânicas e maior flexibilidade.
É importante destacar que os
multipolares são visualmente idênticos aos PP. Mas os materiais e o
projeto de construção desses cabos são muito distintos. É necessário
verificar a especificação com atenção, para que se possa diferenciar um
do outro.
Um dos lugares que frequentemente usam
cabos inadequados são as feiras de negócios, onde se concentram vários
estandes com projetos arquitetônicos dos mais variados. São ligados
equipamentos diversos, inclusive ar condicionado, em instalações feitas
com cabos paralelos ou PP. Eles não apresentam resistência, mediante
rompimento, expõem o cobre que pode provocar choques ou curto-circuito.
Em palcos de shows e apresentações, as
consequências podem ser maiores, pois são montados sobre estruturas de
aço que facilmente colocam as pessoas em situação de maior risco.
Falta de condutor de proteção (fio terra) e DR
Não tem sido muito frequente o uso do
fio terra e de dispositivos DR (diferencial residual) nas instalações
provisórias. Por isso, quando acidentes como em palcos ocorrem, eles
poderiam ser minimizados com o desligamento automático da rede através
do DR.
Não é nada complexo instalar um
dispositivo DR numa instalação provisória. Este é um mito que precisa
ser derrubado e ainda quebrar o paradigma de que porque a instalação é
provisória pode se abrir mãos das normas e da segurança.
Toda transmissão de energia deriva de
um quadro de luz e é ali que deve ser instalado o DR. Há de se observar
nestes casos o fato de que problemas específicos motivam a interrupção
do fornecimento global de energia. O DR é um verdadeiro dedo-duro de
instalações erradas e é sensível ao menor sinal de que alguém esteja
sendo eletrocutado. Ele desliga o circuito imediatamente, o que
significa, por exemplo, deixar um estande às escuras ou parar um
equipamento na obra.
Mas essas ocorrências, é preciso
deixar claro, são frequentes apenas em instalações que foram malfeitas.
Ou seja, há um círculo vicioso que precisa ser interrompido, antes de
mais nada, executando uma instalação provisória correta. Provavelmente
quase 100% das mortes que ocorreram em instalações provisórias não
ocorreriam se tivesse sido instalado um dispositivo DR.
O fio terra, por sua vez, se
complementa nesse cenário. Qualquer parque de exposições, como o
Anhembi, em São Paulo, possui sistema de aterramento em seu quadro
principal e basta que o eletricista leve este fio terra até o estande
que está sendo montado. É necessária apenas uma mudança de postura e
preocupação por parte desses profissionais sobre as consequências de uma
instalação malfeita.
Texto produzido com a colaboração de
Hilton Moreno, engenheiro eletricista pela Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, professor do Curso MBA de Gestão de Energia,
titular da cadeira de Normalização Técnica, da Fundação Santo André
(SP).
O especialista já integrou o Comitê
Brasileiro de Eletricidade (CB-3) da ABNT e participou de atividades de
normalização técnica na Associação Mercosul de Normalização e no COPANT
(Comitê Panamericano de Normalização Técnica).