Fios e cabos elétricos, por normas
técnicas, devem ter condutor em cobre com 99,99% de pureza, garantindo
assim a condução de energia com as menores perdas possíveis e máxima
segurança. Se o material não tiver essa composição pode chegar a níveis
indesejados de perdas elétricas, levando ao sobreaquecimento do fio ou
cabo, que podem resultar, além de aumento no gasto de energia elétrica,
em perda de vida útil, curtos-circuitos, choques e até incêndios.
Um
levantamento feito pela Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e
Cabos Elétricos (Qualifio) aponta que a maior parte do material
disponível no mercado está fora das especificações necessárias. Das 320
amostras testadas de janeiro a setembro deste ano, 59% estão
inadequadas. Do total, 23% dos materiais coletados não são certificados
pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e
têm baixa qualidade, 36% têm certificação, mas apresentam problemas. A
análise aponta que o desvio de resistência elétrica, mesmo em algumas
marcas certificadas, chega a ser 35% superior ao máximo permitido em
norma, devido à baixa quantidade de cobre. Entre os materiais não
certificados, esse percentual salta para 64% superior ao máximo
permitido em norma. Dos exemplares avaliados, 41% têm qualidade
aceitável, mantendo a quantidade de cobre que garante o atendimento da
resistência elétrica conforme as normas.A Qualifio verificou ainda que 23% dos fabricantes não são certificados, 28% têm certificação, mas apresentam inadequações e 34% estão regularmente certificadas.
É possível identificar o tipo de cabo por meio de uma gravação impressa na parte externa do fio, onde está descrita toda a sua especificação, inclusive o logo do Inmetro e da certificadora credenciada pelo órgão. “Existem duas normas que orientam a especificação do produto adequado em cada situação: a ABNT NBR NM 247-3, para fios e cabos, e a ABNT NBR NM 247-5, para cordões flexíveis paralelos ou torcidos. Normalmente, o comprador recebe do engenheiro responsável pela obra as especificações do material e faz a compra conforme as instruções. Portanto, o comprador não precisa ter a formação de engenheiro ou técnico eletricista, basta que verifique se o produto adquirido respeita as normas e apresenta, obrigatoriamente, na embalagem o logo do Inmetro e da certificadora”, orienta Mauricio Sant’Ana, secretário-executivo da Qualifio.
É preciso também ficar atento à embalagem do produto, que contém informações que especificam o material, como a bitola do fio e o selo de certificação atestando a qualidade. Caso o eletricista verifique que o material é inadequado, ele deve avisar o comprador para que as providências sejam tomadas. “O eletricista tem um papel fundamental, pois pode brecar qualquer procedimento errado. O projetista descreve, o comprador adquire, mas é o instalador/eletricista que recebe o cabo nas mãos e deve conferir se as especificações estão corretas antes de instalá-los”, ressalta Sant’Ana.
“A elevada condutibilidade elétrica do cobre, sua facilidade de manuseio para emendas e terminações, o fato de ser 100% reciclável e inúmeras outras propriedades importantes fazem desse metal o mais utilizado na área elétrica para condução de energia”, afirma o diretor-executivo do Procobre, Antonio Maschietto Jr.
Valdemir Romero, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel), enfatiza que as normas técnicas definem que para cada bitola (espessura do fio ou cabo) há uma resistência elétrica mínima a ser seguida. “Ou seja, para cada bitola, o fabricante tem que produzir o condutor com quantidade de cobre suficiente para atender à resistência elétrica exigida.”
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